Hoje foi a abertura da exposição de fotografia contemporânea no instituto Tomie Ohtake. Como este que vos escreve está participando com quatro fotografias na parte educativa do site da exposição, fui convidado para a abertura.
O espaço do instituto é maravilhoso. Assim como o coquetel e as breves falas de abertura. Agora, as fotografias, que são o que realmente interessa neste caso, são ainda mais espetaculares.
A mostra conta com cerca de 30 trabalhos dos 80 que fazem parte da coleção da Telefônica, com sede em Madrid e está dividida em três salas.
A primeira sala apresenta trabalhos com o tema Corpo e Identidade. Sempre com grandes ampliações, sempre muito precisas, esta sala apresenta trabalhos que discutem o outro na fotografia e o artista dentro deste contexto. Não podiam faltar, como de costume na produção contemporânea, auto-retratos. Agora, no caso da coleção Telefônica, os dois presentes são muito interessantes. O primeiro, de John Coplans apresenta o corpo do artista, sem rosto, dividido entre quatro fotografias. Este trabalho chama a atenção por ser o destaque da primeira sala, mas principalmente por discutir auto imagem sem glamour, sem rosto, somente com um corpo nu, sem retoques. O segundo auto-retrato da sala é de Zhang Huan, com um tríptico, Olhos, Pele, Bochecha. Abaixo, Olhos:
A segunda sala apresenta Arquitetura, Natureza e Paisagem.
Nesta sala, que é minha favorita, fala-se muito sobre vazio, sobre espaço e de uma maneira muito sutil sobre a relação do homem com o espaço que ele ocupa. Os destaques são Miguel Rio Branco com um painel intitulado Perseverança, que como de costume, apresenta espaços densos, sombrios e guiados pela cor, sempre tão característica de seu trabalho.
Outra imagem que chama muita atenção e estampa o flyer da exposição é Alba de Andreas Gursky, que discute muito sutilmente a irrelevância do homem frente à natureza e o constante desejo de sobreposição deste sobre seu ambiente.
A terceira e menor sala discute o tema Simulacro com seis trabalhos bastante distintos. Conta com uma série de Vik Muniz, construindo realidades com chocolate e outros trabalhos de construção visual. O que mais chama atenção dentro deste conjunto é Homem Caindo em S de Baldessari, que com duas estreitas fotografias transmite perfeitamente a sensação de queda e angústia de seu personagem.
A mostra fica até Setembro no Instituto e tem que ser vista por todos que apreciam e desejam discutir fotografia contemporânea.









